‘História pra ninar gente grande’: Marielle Franco é homenageada em enredo da Mangueira no próximo carnaval

7 meses sem respostas. Quem matou Marielle e Anderson?

A escola carnavalesca Estação Primeira de Mangueira quis chamar atenção para esse caso de assassinato da vereadora Marielle Franco citando o nome dela em seu novo enredo História Pra Ninar Gente Grande, do carnavalesco Leandro Vieira. Eu achei a letra incrível e um real alerta para aquele país que a gente tenta colocar pra “baixo do tapete” sempre que pode.

Um dos compositores do samba, Tomaz Miranda, disse que é em homenagem a memória de Marielle e Anderson Gomes (motorista morto no atentado) e toda luta que ainda virá.

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A mangueira chegou

Com versos que o livro apagou
Desde 1500
Tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
Tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasil que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde- e- rosa as multidões

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#VÍDEO: Minhas músicas do momento

Olá, lindezas!

Hoje resolvi abrir meu coração pra vocês e mostrar algumas das músicas que mais tenho escutado ultimamente 🎼

Tem Beyoncé, Rihanna, Legião Urbana, Roberta Campos, etc.

Espero que curtam e que sejamos almas gêmeas musicais 🎧 ❤️ rs

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Grande beijo,

Duda @negraecrespa

Não vamos abaixar a cabeça

“É mais do que fazer barulho…”

5 de dezembro, mais um dia no calendário, dia em que acordei com um clipe que define a situação do negro no Brasil e no mundo. Resultado de imagemClipe da música Mandume¹ do Emicida (confesso que ainda não tinha escutado a música que está em seu último CD: Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa, que inclusive eu tenho, mas perdemos o costume de ouvi-los, né?Enfim, escutarei na íntegra AGORA MESMO!).

A música e o clipe são verdadeiros socos no estômago dos privilegiados e uma profunda reflexão aos negros sobre nossa existência, nosso papel na sociedade e do que não podemos mais ser. A letra fala por si e por isso ela está na íntegra aqui:

“Eles querem que alguém
Que vem de onde nóiz vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finge que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se… !
Eles querem que alguém
Que vem de onde nóiz vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finge que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se… !

(Nunca deu nada pra nóiz, caralho!)
(Nunca lembrou de nóiz, caralho!)

Sou Tempestade, mas entrei na mente tipo Jean Grey
Xinguei, quem diz que mina não pode ser sensei?
Jinguei, sim sei, desde a Santa Cruz, playboys
Deixei em choque, tipo Racionais, “Hey Boy!”
Tanta ofensa, luta intensa nega a minha presença
Chega! Sou voz das nega que integra resistência
Truta rima a conduta, surta, escuta, vai vendo
Tempo das mulher fruta, eu vim menina veneno
Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia
Basta de Globeleza, firmeza? Mó faia!
Rima pesada basta, eu falo memo, igual Tim Maia
Devasta esses otário, tipo calendário Maia
Feminismo das preta bate forte, mó treta
Tanto que hoje cês vão sair com medo de bu*
Drik Barbosa, não se esqueça
Se os outros é de tirar o chapéu, nóiz é de arrancar cabeça

Mas mano, sem identidade somos objeto da História
Que endeusa “herói” e forja, esconde os retos na História
Apropriação a eras, desses tá na repleto na História
Mas nem por isso que eu defeco na escória
Pensa que eu num vi?
Eu senti a herança de Sundi
Ata, não morro incomum e
Pra variar, herdeiro de Zumbi
Segura o boom, fi
é um e dois e três e quatro, não importa, já que querem eu cego eu “Tô pra ver um daqui sucumbir! ” (não!)
Pela honra vinha Man
Dume: Tira a mão da minha mãe!
Farejam medo? Vão ter que ter mais faro
Esse é o valor dos reais, “caros”
Ao chamado do alimamo: Nkosi Sikelel’, mano!
Só sente quem teve banzo
(Entendeu?) Eu não consigo ser mais claro!
Olha pra onde os do gueto vão
Pela dedução de quem quer redução
Respeito, não vão ter por mim?
Protagonista, ele preto sim
Pelo gueto vim, mostrar o que difere
Não é a genital ou o “macaco! ” que fere
É igual me jogar aos lobos
Eu saio de lá vendendo colar de dente e casaco de pele

Meme de negro é: me inspira a querer ter um rifle
Meme de branco é: não trarão de volta yan, Gamba e Ringue

Arranca meu dente no alicate
Mas não vou ser mascote de quem azeda marmita
Sou fogo no seu chicote
Enquanto a pessoa for morte pra manter a ideia viva
Domado eu não vivo, não quero seu crime
Ver minha mãe jogar rosas
Sou cravo, vivido entre espinhos treinados
Com as pragas da horta
Pior que eu já morri tantas antes de você
Me encher de bala não marca, nossa alma sorri
Briga é resistir nesse campo de fardas

(Cêloko Cachoeira!)

Banha meu símbolo, gora meu manto que eu vou subir como rei
Cês vive da minha cicatriz, eu tô pra ver sangrar o que eu sangrei
Com a mente a milhão, livre como Kunta Kinte, eu vou ser o que eu quiser
Tá pra nascer playboy pra entender o que foi ter as corrente no pé
Falsos quanto Kleber Aran, os vazio abraça
La Revolução tucana, hip-hop reaça
Doce na boca, lança perfume na mão, manda o mundo se foder
São os nóia da Faria Lima, jão, é a Cracolândia Blasé
Jesus de polo listrada, no corre, corte degradê
Descola o poster do 2pac, que cês nunca vão ser
Original favela, Golden Era, rua no mic
Hoje os boy paga de ‘drão, ontem nóiz tomava seus Nike
Os vira lata de vila, e os pitbull de portão
Muzzike, filho de faxineira, eu passo o rodo nesses cuzão
Ando com a morte no bolso, espinhos no meu coração
As hiena tão rindo de quê, se o rei da savana é o leão?

Canta pra saldar, negô, seu rei chegou
Sim, Alaafin, vim de Oyó, Xangô
Daqui de Mali pra Cuando, De Orubá ao banco
Não temos papa, nem na língua ou em escrita sagrada
Não, não na minha gestão, chapa
Abaixa sua lança-faca, espingarda faiada
Meia volta na Barja, Europa se prostra
Sem ideia torta no rap, eu vou na frente da tropa
Sem eucaristia no meu cântico
Me vêem na Bahia em pé, dão ré no Atlântico
Tentar nos derrubar é secular
Hoje chegam pelas avenidas, mas já vieram pelo mar
Oya, todos temos a bússola de um bom lugar
Uns apontam pra Lisboa, eu busco Omonguá
Se a mente daqui pra frente é inimiga
O coração diz que não está errado, então siga!

Dores em Loop-cínio, os (?), quê?
Ao ver o Simonal que cês não vai foder
Grande tipo Ron Mueck, morô muleque? Zé do Caroço
Quer photoshop melhor que dinheiro no bolso?
Vendo os rap vender igual Coca, fato, não, não
Melhor, entre nóiz não tem cabeça de rato
É Brasil, exterior, capital interior
Vai ver nóiz gargalhando com o peito cheio de rancor
Como prever que freestyles, vários necessários
Vão me dar a coleção de Miley Cyrus
Misturei Marley, Cairo, Harley, Pairo, firmeza
Tipo Mario, entrei pelo cano mas levei as princesa
Várias diss, não sou santo, imã de inveja é banto
Fui na Xuxa pra ver o que fazer se alguém menor te escreve tanto
Tô pelo adianto e as favela entendeu
Considere, se a miséria é foda, chapa, imagina eu
Scorsese, minha tese não teme, não deve, tão breve
Vitória do gueto, luz pra quem serve?
Na trama conhece os louro da fama
Ok, agora olha os preto, chama!”

1: Mandume: Refere-se a Mandume Ya Ndemufayo, último rei de Cuanhamas povo do sul da Angola. Que resistiu à ocupação alemã e preferiu se suicidar a se render.

Eu realmente gostaria de escrever algo mais profundo sobre tudo que estou sentindo, talvez eu consiga, mas não agora. Por enquanto basta uma reflexão severa do que toda essa letra nos passa.

Duda @negraecrespa

#VÍDEO – DOIS TIPOS DE TURBANTE INSPIRADOS EM ALICIA KEYS

Olá, gente linda!

Tem vídeo quentinho no canal Negra e Crespa do Youtube!

Nele ensinei essas duas amarrações de turbante que estão nas fotos abaixo, elas aparecem no clipe e na divulgação da música nova da Alicia Keys, In Common (para conferir esse som, o vídeo está no final desse post).

Para conferir, basta assistir o vídeo abaixo:

Não esqueça de se inscrever no canal! Terá vídeo toda semana de diversos temas!

Para se inscrever, clique aqui.

Para conferir o primeiro vídeo ensinando a fazer o enteado AfroPuff Lateral (precisará dele para o turbante!), clique aqui.

In Common – Alicia Keys:

 

Grande beijo,

Duda @negraecrespa

#POSTMUSICAL 1

Oi, lindezas!

Quero dividir uma paixão com vocês: MÚSICA.

Que é boa em qualquer momento! Seja pra dançar, pra relaxar, pra cantar ou apenas para ouvir. Li um artigo que quando você ouve algo que você gosta sua saúde melhora, verdade ou não, acredito muito nisso! Por isso fiz uma seleção de música com hits (ou não hits kkk) de várias décadas. E acho que vocês vão curtir muito também.

Eu cansei de playlists que eu tenho que passar a metade das músicas porque não curto muito, então fiz uma seleção própria de rap, pop, rock, R&B, hip hop, reggae, MPB e por aí vai.. para me divertir e decidi compartilhar com vocês.

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Para conhecer a seleção de músicas, basta clicar e seguir a playlist Melhores #negrasecrespas no Spotify. Caso não encontre, meu usuário é Eduarda Goulart Buchmann. Ou ainda, pode ir direto pra ela acessando esse link: Playlist Spotify: Melhores #negrasecrespas

Coloca aí pra tocar, pode fazer aquele show no chuveiro, limpar a casa, queimar umas calorias dançando, deitar e pensar na vida, seja o que for…

Algumas músicas que estão por lá:

Beyoncé • Love On Top

Drake • Hotline Bling

Flora Matos • Pretin

Emicida • Ubunti Fristaili

Rihanna ft. Drake • Work

Bob Marley • Three Little Birds

Ivete Sangalo e Maria Bethânia • Muito Obrigado, Axé

Karol Conká • Boa Noite

 

E muito muito mais…

Se sentirem falta de alguma música ou quiserem me indicar um som para ouvir, eu vou amar!

Música é sempre sempre bem vinda!  ♬

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Grande beijo,

Duda @negraecrespa

 

 

” MILIONÁRIO DO SONHO” E A LIBERDADE DE SER O QUE SE É

“Tendo um cabelo tão bom, cheio de cacho em movimento, cheio de armação, emaranhado, crespura e bom comportamento, grito bem alto, sim! Qual foi o idiota que concluiu que meu cabelo é ruim? Qual foi o otário equivocado que decidiu estar errado o meu cabelo enrolado? Ruim pra quê? Ruim pra quem?
Infeliz do povo que não sabe de onde vem
Pequeno é o povo que não se ama, o povo que tem na grandeza da mistura o preto, o índio, o branco, a farra das culturas
Pobre do povo que, sem estrutura, acaba crendo na loucura de ter que ser outro para ser alguém”

Trecho de Milionário do Sonho – Elisa Lucinda (MARAVILHOSA!)

Recitado pela autora e Emicida no álbum: O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, Emicida (2013)

Para começo de conversa: isso não se trata de cabelo apenas, isso é sobre a liberdade de ser quem se é e de aceitar a diversidade a sua volta. O que importa é ser do bem e nada mais. O Brasil é mistura, o Mundo é mistura. Ninguém aguenta mais a ditadura da perfeição, o preconceito velado chega! Quem ainda não entendeu, má notícia: deve se acostumar. E o movimento dos “oprimidos” está e vai continuar crescendo. Porque eles (nós!) já entenderam que têm voz. Eu ainda acho estranho ter que falar disso. Estamos em 2015, POXA! É difícil pensar que as pessoas gostam de ver que tá tudo igual, todo mundo com a mesma cabeça, com o mesmo físico, com as mesmas palavras. A diferença é tão linda!

Meu primeiro desejo com a página no instagram e depois aqui foi incentivar a auto estima, acho que isso liberta da prisão de não ser você mesmo e abre a mente para aceitar o próximo.

Vamos nos amar e respeitar o próximo? É bem fácil. Desafio a cada um de vocês.

Por fim, fui superficial e não era esse o meu objetivo, mas, por ora é isso.

Grande beijo,

Duda @negraecrespa