Globo reprisa Malhação – Viva a Diferença que celebra a diversidade e levanta debates importantes

Globo reprisa Malhação – Viva a Diferença que celebra a diversidade e levanta debates importantes

A novela Malhação lançada em 2017 tem como subtítulo “Viva a Diferença“, super apropriado para essa temporada que foi LIN-DA!

Sabe aquele enredo de casalzinho principal que todo mundo quer separar e acontece umas histórias paralelas fracas, mas o foco sempre é o casal? NÃO É O CASO.

Em Malhação – Viva a diferença são cinco protagonistas mulheres extremamente diferentes em classe social, interesses e vivências que se uniram inicialmente por uma gravidez na adolescência, ou melhor, um parto de uma delas no metrô. Um pouco de “fora da realidade” talvez, mas as coisas só melhoraram a partir dali.

A abertura tem como trilha a música Bate a Poeira de Karol Conká (minha música favorita dela, justamente pela letra), trecho:

Seja o que tiver que ser, seja o que quiser ser
Bate a poeira, bate a poeira
Seja o que tiver que ser

O preconceito velado tem o mesmo efeito, mesmo estrago
Raciocínio afetado falar uma coisa e ficar do outro lado

Mas voltando a história, essa fase de Malhação trata delicadamente e com bastante realismo alguns preconceitos e tabus presentes em nossas vidas. Questões como:

Maternidade na adolescência

Um tema recorrente na novela, mas com abordagem diferente. Sempre vemos a menina lidando com a gravidez precoce, mas dessa vez a gravidez durou minutos só no primeiro capítulo, o que a história fala é o que acontece depois que a criança nasce.

Tudo começa com o parto de uma das protagonistas com a ajuda das outras quatro quando estavam sozinhas dentro de um metrô parado. Elas não eram amigas e o ocorrido fez um laço de união entre todas elas. Como lidar com um filho pequeno, a ajuda das amigas, do pai da adolescente e do suposto pai da criança, é um dos assuntos principais da novela.

Racismo

Uma das protagonistas é negra, a Elen, ela estuda em colégio público, é super inteligente, mas têm oportunidades barradas por conta de sua cor e outros conflitos. Seu irmão sofre preconceito por parte da mãe de sua namorada, que não aceita que sua filha o namore. Ele vive como uma figura determinada, apenas por ser negro, com ofensas vindo inclusive de policiais (lembrou Dear White People).

Feminismo

Acontecem muitos diálogos de questionamento do porquê homens tem preferência ou liberdade para fazer algumas coisas e mulheres não. Ou o machismo no próprio relacionamento amoroso.

Relacionamento aberto

Uma das protagonistas namora um garoto, mas ambos tem interesse em outras pessoas apesar de se darem bem e se gostarem muito. Ela propôs abrir o relacionamento e foi tudo ok, parte da novela mostra essa adptação.

Desigualdade social

Os personagem são divididos entre uma escola pública e outra privada, mas com a união das 5 meninas, os dois grupos se juntaram e convivem bem (quase sempre). Cada lado conhecendo a vida e cultura do outro, quebrando barreiras, se posicionando. E acho que vem daí, principalmente, o subtítulo da temporada: VIVA A DIFERENÇA. Mesmo assim, a desigualdade influencia bastante na vida de cada um.

Padrões de beleza

Uma questão forte que aparece é o padrão de magreza. O uso de medicamentos, dietas radicais, exercícios sem orientação para um objetivo final, mas que prejudica muito a saúde e não dá resultado nenhum.

Influência da tecnologia

Elen, a protagonista que já me referi por aqui é um crânio! E lida muito bem com a tecnologia. A trama mostra que a tecnologia pode ser uma grande aliada da educação.

 

Não ter só um casal como protagonista abre um leque de assuntos que podem ser abordados com maior destaque e acho que isso está sendo feito lindamente sem perder a essência da fala com o público jovem.

É a primeira vez que Malhação é ambientada em São Paulo e não no Rio de Janeiro. Essa nova era tem como responsável o autor Cao Hamburguer, responsável pelo Castelo Rá-Tim-Bum, a série Cidade dos Homens e o filme Xingu, por exemplo.

Não sou mais o público alvo do folhetim e talvez você também não seja, mas é bom saber o que a programação mostra pra geração jovem que está aí.

Minha t-shirt “Minha deusa é negra” – collab com Eufrida

Lindezas,

alguém sabia que eu tenho uma t-shirt em parceria com a Eufrida?

Sim! Uma baita novidade do final de 2019 que acabei não trazendo para cá, mas em novembro, como homenagem as mulheres negras nesse mês especial, a Eufrida lançou a “Minha deusa é negra”, collab comigo para enaltecer princialmente 5 mulheres referência pra mim e pra tantas pessoas que conheço.

 

Eu sempre quis uma collab no mundo da moda e não poderia ter uma que me representasse mais, a Eufrida é uma marca gaúcha de slow fashion (produção em baixa escala) e que tem uma identidade forte social, ligada a abrir e engrandecer discursos das muLheres, dos negros, do universo LGBTQ+, entre outros.

Fizemos um ensaio fotográfico e eu tenho o prazer de mostrar as fotos pra vocês agora.

Quer adquirir? Segue link direto para a lojinha da Eufrida:

https://loja.eufrida.com.br/produtos/camiseta-minha-deusa-e-negra/https://loja.eufrida.com.br/produtos/camiseta-minha-deusa-e-negra/

Campanha Meu batom “Nude da Vida” com Divas Bllack

Campanha Meu batom “Nude da Vida” com Divas Bllack

O sonho é real! Eu tenho um batom pra chamar de meu e ele já está à venda ❤

No fim de outubro o batom NUDE DA VIDA, criação minha para a marca Divas Bllack ficou pronto. Vocês sabem meu amor por essa marca e o quanto eu a admiro e esse convite foi uma das coisas mais lindas de nosso relacionamento.

Desde o início meu desejo era criar um batom nude para pele negra, são meus batons favoritos e eu já tinha um tom em mente que eu não encontrava em nenhum batom já pronto e por isso foi fácil decidir que cor seria. Quanto a formulação dessa cor demorou aproximadamente 1 ano (sim, tô guardando esse segredo desde 2018), mas agora ele está aí! Lindo e do jeito que sonhei!

Apesar da criação dele ser para pele negra, ele fica lindo em pele clara e por isso resolvi fazer uma campanha com três mulheres com tons de pele diferente para mostrar a beleza real dele.

Prontos para se apaixonar?

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O batom está a venda aqui: https://territoriodabelezapoa.wc3.securestore.global/batom-nude-da-vida-by-negra-e-crespa-divas-bllack-p1511?sid=k9ocgkd3g0b2cq6fn7tjnr53v2

Código de desconto: NEGRAECRESPA

 

Grande beijo,

Duda Buchmann

Ingrid Silva, bailarina brasileira, não irá mais precisar pintar suas sapatilhas

Ingrid Silva, bailarina brasileira, não irá mais precisar pintar suas sapatilhas

Foi assim que Ingrid Silva, bailarina clássica, comemorou enfim a chegada de suas sapatilhas da cor de sua pele. Ela não precisaria mais pintar as sapatilhas cor de rosa como fez nos últimos 11 anos.

Ingrid é carioca, mora em NY há anos e é a primeira bailarina da companhia Dance Theatre of Harlem (primeira de bailarinos negros do mundo).

A Ingrid é uma transgressora no melhor sentido da palavra no meio do ballet clássico. Ela usa cabelo natural, passou pela transição enquanto já era bailarina nos Estados Unidos, enquanto todas as outras alisavam seus cabelos para o padrão “clássico” da dança.

Mas quero falar hoje sobre as suas sapatilhas.

Sabemos que as sapatilhas são a extensão dos pés das bailarinas, sendo assim, visualmente o ideal seria que ela fosse da mesma cor da pele de quem está atuando, ou uma cor próxima. Mas Ingrid é negra retinta, as sapatilhas rosas comuns não a contemplavam e por isso que ela sempre pintou as suas, com base para pele.

Finalmente agora as sapatilhas são feitas da cor de Ingrid e de outras tantas bailarinas negras ou que sonham em ser. Mais um passo para a representatividade por completo. Como ela mesma disse em sua publicação: “dever cumprido”.

Conheça um pouco mais da rainha Ingrid nessa entrevista para a Revista TPM:

 

Grande beijo,

Duda Buchmann

“Que personagem é você nessa história que marca os privilégios de uma sociedade preconceituosa, conservadora e moralista?”

“Que personagem é você nessa história que marca os privilégios de uma sociedade preconceituosa, conservadora e moralista?”

Há alguns dias houve uma formatura de jornalismo da PUCRS, uma das grandes amigas da minha irmã estava nessa turma, Michelle Nascimento, e, junto de Daniel Quadros, fizeram um discursos arrebatador que fez com que minha irmã se tocasse e pedisse que eu fosse assistir assim que chegou em casa.

Realmente, aquele discurso me tocou, assim como eu sei que tocará vocês. A Mi gentilmente me compartilhou o texto e agora eu passo a vocês.

Leiam com atenção e coração aberto.

“Me disseram que a essência do jornalismo é contar histórias. Isso mesmo, contar histórias. E eu realmente acredito nessa definição. Podemos perceber isso com o tempo. Desde João do Rio, que em primeiro de junho de 1899, com 17 anos incompletos, teve seu primeiro texto publicado no jornal O Tribunal. Desde que o Golpe Militar no Brasil, em 1964, corrompeu jornalistas, a mídia e a imprensa que silenciaram os horrores da censura e da tortura. Desde que documentos históricos que serviriam como provas para o período da escravidão foram queimados por ordem de Ruy Barbosa. O Primeiro ministro da Fazenda na época da proclamação da República, em 1890, como tentativa de transformar a dor de gerações, em cinzas. Assim como os seus antecedentes e os que vieram depois dele, até os dias de hoje, a história é sempre contada por quem conta.

Mas uma história por si só tem muitos lados, aspectos e implicações. Martin Luther King Júnior tinha um sonho: que seus filhos vivessem um dia em uma nação onde não seriam julgados pela cor de sua pele, mas pelo teor de seu caráter. Elisa Leonida Zamfirescu quis ser engenheira, e mal sabia ela que no ano de 1973, aos 86 anos, seria umas das primeiras mulheres no mundo a realizar tal feito. Assim como Kathrine Switzer, que no ano de 1967, foi a primeira mulher a participar da famosa Maratona de Boston, enquanto outros membros da organização do evento corriam atrás dela para tentar impedi-la. E tem mais: Harvey Milk, representante distrital de São Francisco, foi o primeiro homem gay assumido a vencer uma eleição nos Estados Unidos, mesmo quando isso não era tão falado, em 1977. E assim como ele, Alan Turing, o matemático e cientista que foi um dos responsáveis pela formalização do conceito de algoritmo, a base da teoria da computação, por volta de 1926, também era gay. Mesmos os mais INVISIBILIZADOS, como as pessoas com deficiência, contaram histórias diferentes. Maria da Penha, mãe de três, levou um tiro de espingarda de seu marido e ficou paraplégica, em 1983. Ao voltar para casa, foi agredida pelo companheiro, que tentou eletrocutá-la no chuveiro. Ela dedicou quase vinte anos de sua vida para que sua história fosse contada da forma correta e não se repetisse, desejando que outras mulheres não passassem por violências em seus lares.

Essas eram as histórias que elas e eles queriam contar à uma nação de pessoas que acreditavam em um futuro melhor, um futuro diferente, um futuro onde cabem todos nós. A gente aqui em cima deste palco, vocês aí na plateia, e todos ao qual o Brasil pertence, e para além dos seus muros e fronteiras.

Mas esse discurso não era sobre jornalismo?

Bem, aí que tá. Jornalismo não é sobre segurar um microfone e brilhar nas televisões, estar no foco dos holofotes ou ter uma coluna social no jornal mais lido da cidade. Não é só isso, pelo menos. Na verdade, isso é o que ele menos é. Ou talvez nem seja.
O jornalismo é sobre a sociedade como um todo, está imerso nela, não fica acima, nem abaixo, mas no reflexo de suas ideologias e valores, crenças e bagagens, motivações e reivindicações. Passamos pelo menos quatro anos na universidade aprendendo sobre a
importância da dedicação do jornalista para transmitir a realidade; a responsabilidade social da profissão para com o público, assim como a sua integridade; o respeito ao interesse público, interesse do público, aos valores universais e à diversidade de culturas; a eliminação da guerra e de outros grandes males que confrontam a humanidade; além da promoção de uma nova ordem mundial, onde o acesso à informação e a comunicação sejam prioridades.
Por isso, apesar de não ser necessário, nós vamos explicar de novo. É nosso
dever, como interlocutores, combater a disseminação de notícias falsas, que na verdade, não são notícias. Defender a democracia, o direito à vida e os direitos humanos. Principalmente quando o nosso atual presidente é contra a atuação de jornalistas, os DESMORALIZANDO com críticas e ataques à liberdade de expressão. Um governo da sequência após um golpe na presidência e uma eleição sustentada por mentiras, em uma batalha a qual o jornalismo QUASE perdeu, o nosso valor se prova cada vez mais necessário.

Hoje estamos nos formando. Mas outra questão importante é que as próximas gerações de jornalistas dependem da atuação das autoridades na defesa de um ensino de qualidade e acessível para todos. No Brasil, as salas de aula estão sendo ameaçadas pelo atual governo do país, que indica cortes de verbas, restrição de bolsas e bloqueios de orçamentos para universidades federais. Em regressos como este, devemos estar ainda mais preparados para amparar uma nação que tem a sua educação comprometida.

Ao sairmos daqui hoje, o mundo lá fora conta com a gente. As minorias em representatividade, mais do que todos, precisam de nós. Inclusive, é engraçado, pra não dizer confuso, ser chamado de minoria, né? Em um país onde 54% da população é negra ou parda, 51% são mulheres, 45 milhões são pessoas com deficiência e pelo menos vinte e duas milhões de pessoas se assumem como LGBTQIs, isso deveria, no mínimo, ser repensado.
É hora de sermos protagonistas das nossas histórias, mas de também assumirmos nossos privilégios. Entre 37 formandos, somos apenas quatro alunos negros. E nos desculpem se falamos demais sobre isso, mas é que negros, são negros todos os dias, perseguidos nos estabelecimentos e impedidos de acessar aquele lugar legal que você gosta de frequentar. E se isso te incomoda, então a gente cumpriu o nosso papel de representar toda essa turma de graduandos que escolheu nos colocar aqui para contar isso à todos vocês.

Enquanto ao olhar para o lado vocês não enxergarem outros negros, pardos e pessoas de todas as cores e origens, mulheres, LGBTQIs, pessoas com deficiências, gordos, magros, e todas as formas de ser em cargos de liderança, nas universidades, na mídia, e onde elas quiserem estar, nós vamos continuar falando.
Então, por favor, nos ajudem a não precisar contar mais essa antiga história.

Se não nós, jornalistas, quem irá reescrever a história do país que mais mata LGBTQIs no mundo?

De qual lado da história você está quando o número de casos de feminicídio aumenta 76% no primeiro trimestre de 2019, no Brasil?

Que personagem é você nessa história que marca os privilégios de uma
sociedade preconceituosa, conservadora e moralista?

O que você diz sobre a história que é escrita quando 64% dos desempregados e presidiários no Brasil são negros? Quando os 54% da nossa população que é formada por negros, são dizimados, sendo que 7 em cada 10 dos homicídios no Brasil, também são com negros e negras? É o caso do Evaldo Rosa dos Santos, cujo carro foi alvejado com 83 tiros em Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro. E tem mais: quem mandou matar Marielle?
Ao fim dessa fala, novos profissionais tomam seus postos no vasto mercado que é o jornalismo e a comunicação. Essas meninas e meninos encarando vocês aqui em cima deste palco já estão mudando o mundo, e a história dele.

Cabe a você, caro aliado que está aí atento, decidir se vem com a gente, reescrever a história, ou se continuará contando as mesmas de sempre. A gente já tomou a nossa decisão. Em defesa do jornalismo, da liberdade de expressão, da pluralidade, da educação, e de um Brasil que pertença aos seus, de fato.

Hoje é o fim de um ciclo, e o início de todo o restante de novas vidas. E a gente se encontra por aí, nas nossas novas histórias.
E como dizia Nelson Mandela: A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.
E nós acreditarmos que essa arma deveria ser a única empunhada pela nossa população, e acima de tudo, não deveria ser um privilégio de poucos!
Vamos avante! Obrigado!”

 

Arrepiou aí também?

 

Michele Nascimento (@micheleenasc) & Daniel Quadros (@eudanielquadros)

Nova agente 007 é uma mulher negra

Nova agente 007 é uma mulher negra

VAMOS GRITAR TODAS JUNTAS???

Perdemos Idris Alba como o novo James Bond, mas ganhamos algo muito muito melhor! Ok, Idris é maravilhoso, mas deixa eu focar aqui, rs. O novo agente 007 provavelmente será A NOVA AGENTE, sim, uma mulher! Uma mulher negra! LASHANA LYNCH

Muitas exclamações para esse momento de emoção.

O jornal Mail Online soltou a notícia hoje que a atriz britânica Lashana Lynch, que participou recentemente de Capitã Marvel, seria a escalada para viver a protagonista do 25º filme da franquia. Segundo o jornal, Lashana não fará o papel de “James Bond”, mas carregará o título de agente 007.

Feliz demais com mais esse ponto de representatividade. Uma atriz negra retinta em um papel tão popular e clássico do cinema mundial é tão incrível que não tenho como expressar com palavras, mas acho que vocês sentiram minha emoção através desse post, não é?

Então, com vocês, BOND WOMAN:

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Cat’s finally outta the bag! #BOND25

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Grande beijo,

Duda Buchmann

O aparecimento de Michelle Obama sem cabelos alisados

O aparecimento de Michelle Obama sem cabelos alisados

É, ESTAMOS MUITO ANIMADOS COM NOSSA AMADA QUERIDA IDOLATRADA (SALVE SALVE) MICHELLE OBAMA!!!!!

Nossa diva surgiu com cabelos não lisos em suas últimas aparições públicas e isso tem um poder sem igual. Além de ser advogada, mulher de um dos homens mais importantes do mundo e ter forte torcida para se tornar a primeira presidenta negra dos Estados Unidos, ainda tem um dos livros mais vendidos dos últimos tempos, com sua própria biografia denominada Becoming (em português, Minha História).

Tá claro que ela é uma baita influência pro mundo inteiro, não só intelectual, mas de estilo também, desde a primeira vez que apareceu ao lado de Barack.

Do início da carreira pública do marido até poucos dias atrás, foram raras às vezes que vimos Michelle com cabelo afro não alisado. Eu nunca tinha parado pra pensar na importância dessa aparência até ler meu livro favorito Americanah da Chimamanda Ngozi Adichie. Aquele visual fazia parte de toda uma estratégia. Chimamanda levanta no livro, através da protagonista Ifemelu, que possivelmente Barack nem seria eleito se Michelle usasse seu cabelo natural durante a campanha. Depois, em entrevistas a autora confirmou essa afirmação.

E se minha opinião vale alguma coisa, eu concordo com Chimamanda. Já que no mundo do padrão o cabelo liso é formal e crespo/cacheado não é. Por enquanto.

Michelle tem total consciência disso e em uma oportunidade chegou a dizer que o objetivo dela após os mandatos de Barack era continuar com cabelo na cabeça (a gente sabe o que uma química pode fazer com os fios, né?), ela ainda disse que isso afetava diversas profissionais negras, essa pequena “escravidão” estética.

 

Michelle também sabe o quanto que atingiu parecendo com cabelo afro agora.

Estamos mudando. Pra melhor.

“Invasão” negra e feminina no Grammy 2019

“Invasão” negra e feminina no Grammy 2019

É, quase não deu pra sentir falta das rainhas Rihanna e Beyoncé nesse Grammy depois de tantas performances incríveis e prêmios maravilhosos.

Desde as nomeações, já víamos que a hegemonia masculina e branca não era predominante, como na categoria Videoclipe do Ano, por exemplo, em que todos eram negros e metade de mulheres.

Me surpreendi positivamente com a força feminina presente na premiação toda, muito por causa da anfitriã e vencedora de 15 Grammys, Alicia Keys, escolhida a dedo para passar toda a energia radiante dela e de suas “manas”, modo de fazer referência a todas as colegas artistas presentes ❤ Alicia toda doce, positiva e exalando talento não só apresentou a premiação, como foi responsável por revelar os dois grandes vencedores da noite (Gravação do Ano e Álbum do ano) e ainda fez uma das performances mais impecáveis, tocando DOIS pianos e com um medley de músicas que ela gostaria de ter escrito.

Mas a noite iniciou com 5 mulheres poderosíssimas no palco, além de Alicia, estava Michele Obama, Lady Gaga, Jennifer Lopez e Jada Smith para falar da música em suas vidas e como essa relação as fazem melhor.

O grande vencedor foi Gambino com a música This is America, que fala de violência policial e racismo em um momento tão delicado nos Estados Unidos (saiba curiosidades sobre o clipe aqui). A canção ganhou Gravação do Ano, Melhor Clipe, Melhor Música e Melhor Colaboração de Rap.

A noite teve diversas apresentações, entre elas de Camila Cabello; de Miley Cyrus; da Lady Gaga, uma homenagem à Dolly Parton com Miley Cyrus, Katy Perry, Kacey Musgraves, Linda Perry e Big Little Town; de Janelle Monaé; de H.E.R; de Diana Ross, um tributo com vozes poderosíssimas de Andra Day, Yolanda Adams e Fantasia à Aretha Franklin; solo da Kacey Musgraves; de Cardi B; da Jennifer Lopez em uma homenagem a Motown; de Dua Lipa e St. Vincent; da dupla Chloe e Halle.

Dentre os vencedores, além de Gambino, temos The Carters (Bey e Jay-Z), Lady Gaga, Dua Lipa, Kacey Musgraves, Drake, Cardi B, H.E.R, Ariana Grande e a trilha sonora de Pantera Negra.

WOMAN & BLACK POWER senhoras e senhores!

Opinião: será que precisamos mesmo de um dia para Consciência Negra?

Opinião: será que precisamos mesmo de um dia para Consciência Negra?

Texto para Revista Donna (2017)

Parece que a sociedade inteira percebe as condições de vida da população negra só em novembro, né? Afinal, ocorre uma “chuva” de eventos em relação a isso. Nós nos acostumamos a acompanhar uma programação especial a respeito de Consciência Negra, mas será que essas atividades estão sendo consumidas de verdade? E no resto do ano, como fica?

Esta terça-feira é 20 de novembro, data em que celebra-se o Dia da Consciência Negra no Brasil. A data foi escolhida pela morte do Zumbi dos Palmares (em 1695). É uma causa tão forte e significativa que não merecia apenas um dia no calendário para ser lembrada, mas, enfim, é o que temos.  A pergunta que fica para muitos é: será que ela é necessária? Por que não temos o dia da consciência branca?

Enquanto o salário for quase metade do homem branco mesmo com cargos iguais, enquanto um homem negro – vítima de assalto – ser espancado por acharem que o suspeito é ele, enquanto o número de jovens negros mortos for tão alto, enquanto o julgamento da cor da pele ser o mais importante, enquanto uma mãe com filhos negros sofrer diariamente, enquanto ouvirmos/lermos a expressão “racismo reverso”, enquanto não houver reconhecimento de privilégios, sim, precisaremos!

E, por favor, entenda que está longe de ser o dia do mimimi ou do vitimismo. Temos muito o que alcançar e conquistar e não entendo porque o protagonismo ainda possa incomodar tanto. Estamos sendo notados? Sim, mas pouco e queremos mais. É necessário canalizar a visibilidade para mais pessoas. Somos mais da metade da população, poxa!

O 20 de novembro é mais um dia para refletir e tentar entender a situação em que vivemos e lutar por melhorias. Em um país em que todos os âmbitos desmerece a população negra, temos muito a evoluir.

Sim, consciência negra deveria ser todos os dias, mas enquanto não temos isso…

Segundo estudo, as mulheres negras têm a menor renda entre os diplomados no país

Segundo estudo, as mulheres negras têm a menor renda entre os diplomados no país

Mulher negra recebe muito menos que homem e mulher brancos e homem negro, mesmo todos diplomados. Mais uma prova de que ser mulher negra no Brasil é bem difícil mesmo.

Imagem relacionada

Esses dados foram apresentados no estudo “O Desafio da Inclusão”, do Instituto Locomotiva, com base de dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Os resultados são que entre homens brancos acima de 25 anos, 18% têm ensino superior e renda média de R$ 6.702 e entre os negros, apenas 6% têm graduação, e a renda média é de R$ 4.810. E se tratando de distinção de gênero, entre mulheres brancas 21% tem diploma e o rendimento médio é de R$ 3.981, já entre as mulheres negras, 9% são diplomadas e possuem a menor renda média, R$ 2.918. Ou seja, de acordo com o estudo, as mulheres negras têm a menor renda entre os trabalhadores com ensino superior. A diferença salarial de um homem branco e uma mulher negra é de 43%!

Se essa imagem fosse em uma empresa qualquer, com personagens reais e com o mesmo nível de posição, você saberia dizer quem ganha mais?

Além de termos que nos superar a cada dia, não ter espaço para falhas mínimas, ainda recebemos menos. Por que a cor da pele define competência de alguém?

Tal desigualdade salarial entre brancos e negros e entre os sexos representa um prejuízo bilionário. Segundo o Locomotiva, a desigualdade salarial causa um prejuízo bilionário, já que há o desperdício de mais de 800 bilhões de reais que poderiam estar no mercado.

E aí, vamos ficar até quando definindo capacidade pela raça? Não podemos esperar chegar os 150 anos previstos para equilibrar as oportunidades de brancos e negros.
A mudança tem que ser já, agora!!!
Duda Buchmann
Texto original escrito para o ATLGirls.